About Me

Walter Benedix Schönflies Benjamin nasceu em Berlim, a 15 de Julho de 1892, tendo conhecido, até à idade adulta, uma vida abastada. Em 1904, com 12 anos e, por causa da sua frágil saúde, os seus pais colocam-no num internato, no campo (em Haubinda, na Turíngia), onde conhece o pedagogo Gustav Wynecken, o qual terá uma forte influência sobre o jovem Benjamin, como se evidencia nos seus escritos mais precoces, sob a inspiração do Jugendbewegung (Movimento da Juventude).

Gustav Wynecken
Gustav Wynecken

Em 1907 entra na Escola Kaiser-Friedrich, colégio municipal de Charlottenburg, onde ficará até ao bacharelato. É em 1910 que começa a publicar, sob o pseudónimo de Ardor, os primeiros poemas e contribuições críticas para a revista Der Anfang, dirigida pelo Movimento da Juventude e sob a tutela de Gustav Wynecken. No dia 24 de Abril, inscreve-se na Universidade Albert-Ludwig de Friburg-en-Brisgau. Frequenta os cursos de filosofia neokantiana de Heinrich Rickert. Lê Hermann Cohen, o qual fundou a escola neokantiana de Marburg e que ensina na Academia de Ciências do Judaísmo em Berlim. Após uma breve viagem a Itália, Walter Benjamin inscreve-se na Universidade Friedrich-Wilhelm, onde segue os cursos de Georg Simmel, Ernst Cassirer e Kurt Breysig. Em 1913, no semestre de Verão, deixa Berlim e continua os estudos em Friburg, seguindo os cursos de lógica de Rickert, assim como as análises dos escritos do filósofo Henri Bergson. Participa do seminário de Jonas Cohn sobre a estética de Kant e de Schiller e faz amizade com o seu condiscípulo Fritz Heinle. Data desse mês de Junho o seu primeiro escrito sobre a “experiência”, intitulado Erfahrung (Experiência), um tema ao qual voltará noutros textos, como em Über das Programm der Kommenden Philosophie (Sobre o Programa da Filosofia que há de vir, 1917), cuja questão é precisamente a possibilidade do acesso a uma experiência superior, superando a noção kantiana da experiência, Erfahrung und Armut (Experiência e Pobreza, 1929), onde antecipa a questão da indigência da experiência e da experiência do choque e perda da aura, em Der Erzahler (O Narrador, 1933) e, ainda, nos textos sobre Charles Baudelaire, em Charles Baudelaire. Ein Liriker im Zeitalter des Hochkapitalismus (Charles Baudelaire, um Poeta Lírico no Apogeu do Capitalismo, a partir de 1936. Nestes últimos textos, bem como no Livro das Passagens, obra imensa e que é desenvolvida a partir de citações, num método de montagem cinematográfica, a sua teoria da experiência como experiência do choque, encontra a sua forma mais acabada.

Em 1914, Walter Benjamin é eleito presidente do grupo de Estudantes Livres, o qual se encontra integrado no Movimento da Juventude. No mesmo ano conhece Dora Pollack, com quem virá a casar-se. Ainda durante esse ano, retira-se das suas actividades do grupo dos Estudantes Livres, vindo a romper, em 1915, a sua relação com o Movimento e, finalmente, com Wynecken. Tal facto dá-se após o suicídio do seu amigo Heinle e da sua companheira Rika Seligson (que ocorre na noite de 8 para 9 de Agosto de 1914), quando Walter Benjamin, muito abalado com a morte do amigo, entra em profundo desacordo com o belicismo de Wynecken. É nesse ano que fica noivo de Grete Radt e conhece o seu amigo de toda a vida, Gershom Scholem, bem como Werner Kraft.

Gershom Scholem
Gershom Scholem, Teólogo e Cabalista

Em 1915, para o semestre de Inverno, inscreve-se na Universidade de Munique. Em 1916, rompe o noivado com Grete Radt e envolve-se com Dora Pollack, ainda casada e que virá a separar-se para casar com Benjamin em 1917. O Verão de 1916, após a querela com Martin Buber, o qual o convidara para redigir um artigo para a célebre revista de que era director, Der Jude, é decisivo para que Benjamin defina a sua posição sobre a teoria da linguagem. Sob a influência de Hamann e das leituras de autores que encaravam a linguagem como uma questão metafísica, rejeita a teoria da linguagem instrumental (e burguesa, como ele a designa) e redige o seu ensaio paradigmático Sobre a Linguagem em Geral e sobre a Linguagem Humana (1916), onde anuncia uma teoria metafísica da linguagem. O sopro messiânico atravessa claramente esse texto, como já se pressentira em 1914, no texto A Vida dos Estudantes, onde Walter Benjamin defendia para a história uma tarefa de apresentação do reino messiânico.

No ano de 1917 escapa à incorporação no exército por doença e obtém um atestado médico que o autoriza a permanecer na Suíça para ser tratado. Inicia, então, a redacção da sua tese de doutoramento intitulada O Conceito de Crítica de Arte no Romantismo Alemão, que conclui em 1918.

Entretanto, nesse mesmo ano, nasce Stefan e a sua relação com Dora deteriora-se, apaixonando-se por Jula Cohn. Ainda em 1921 é publicado o seu texto Para uma Crítica da Violência, escrito em resposta à greve geral e aos acontecimentos revolucionários de 1918-19, em Berlim, saindo numa revista. Também nesse ano, após o impacto que teve sobre ele a leitura de O Espírito da Utopia (1918), de Ernst Bloch, redige O Fragmento Teológico-Político, onde fala claramente da aspiração messiânica para a história. Em 1922, vai a Heidelberg apresentar um projecto de Habilitação, o que lhe permitiria o acesso à docência no ensino universitário. É no mesmo ano que publica o ensaio As Afinidades Electivas de Goethe, graças ao empenho de Hugo von Hoffmansthal e onde tece importantes considerações acerca do papel do crítico. Em 1923, parte para Breitenstein e seguidamente para Frankfurt, onde espera encontrar alguém que oriente a sua Habilitação sobre “a forma do Drama Barroco”, o que resulta num fracasso. É nesse ano que conhece Theodor Adorno e Siegfried Kracauer. E, em Outubro de 1923, é publicada a sua tradução de “Tableaux Parisiens”, antecedida do texto que lhe serviu de prefácio, A Tarefa do Tradutor. Nesse texto, o autor reflecte sobre a questão da tradução tomada como tarefa messiânica. Benjamin regressa a Berlim em Novembro de 1923, onde se depara com a má situação financeira dos pais, tornando-se a sua ajuda problemática. Em 1924 passa um período em Capri, onde convive com Ernst Bloch, conhece Asja Lascis, que o inicia no marxismo.

Asja Lascis
Asja Lascis

E, na mesma época, liga-se a Franz Hessel, com quem irá traduzir a obra de Marcel Proust. Em 1925 renuncia, finalmente, a apresentar a tese de Habilitação e as suas investigações irão transformar-se num livro, que se transformará numa das obras mais relevantes da sua bibliografia. Nessa obra, intitulada A Origem do Drama Trágico Alemão (1928), Walter Benjamin define a questão dos géneros literários, distinguindo a tragédia grega do teatro barroco alemão (fonte de muitos equívocos estéticos e que Benjamin procura esclarecer). Em 1926, encontramo-lo a trabalhar na tradução de Marcel Proust e, no final desse ano, termina Sodoma e Gomorra, o quarto volume de Em Busca do Tempo Perdido, cujo texto alemão nunca mais seria encontrado. No ano de 1927, de Dezembro a Fevereiro, passa um período em Moscovo, após o qual regressa a Paris e publica em alemão a tradução de À Sombra das Raparigas em Flor, o segundo volume da tradução da obra de Proust. Sai, também nas edições Rowholt, o livro Rua de Mão Única (1928), cujos textos aforísticos escrevera entre os anos de 1923 e 1926. É no ano a seguir (1927) que Benjamin dá início ao seu projecto colossal d’O Livro das Passagens, no qual trabalhou até à data da sua morte. Traduz, nessa época, o poeta Aragon, cujo texto é publicado no Die literarische Welt. Em 1929 conhece Bertold Brecht, através de Asja Lascis e torna-se seu amigo, uma relação nem sempre pacífica. Em 1930 divorcia-se de Dora e publica a tradução de um novo volume da tradução de Proust. No ano de 1931 publica Pequena História da Fotografia, O Carácter Destrutivo e o seu ensaio Karl Kraus.

Max Horkeimer
Max Horkheimer

É no Outono de 1932 que conhece Max Horkheimer, que lhe é apresentado por Adorno. A partir do ano de 1933, quando emigra para Paris, para escapar à perseguição dos judeus, pois Hitler havia ascendido ao poder, começa a escrever Uma Infância Berlinense e, com Jean Selz, traduz para francês alguns excertos. Entre 1933 e 1935 publica vários artigos na Alemanha, nomeadamente no quotidiano Frankfurter Zeitung, sob os pseudónimos de Detlef Holz e K. A. Stempflinger. Do ano de 1934 data o seu ensaio sobre Kafka, intitulado Franz Kafka: a propósito do décimo aniversário de sua morte. Kafka, com Baudelaire, seria um objecto de reflexão constante. Sobre Kafka, Benjamin escreveu dois ensaios e uma resenha sobre a biografia de Max Brod sobre aquele autor. O seu fascínio imenso por Kafka transparece também na sua correspondência com Scholem e com Adorno. A sua situação financeira é catastrófica e, em 1934, de Fevereiro a Abril sobrevive graças à ajuda da Aliança Israelita. De Junho a Outubro vive na casa de Brecht, na Dinamarca, perto de Svendborg.

Walter Benjamin e Bertold Brecht
Walter Benjamin e Bertold Brecht

Por essa altura, Benjamin colabora com a revista Zeitschrift für Sozialforschung, publicada em Paris, nas edições Félix Alcan, pelo Instituto de Pesquisa Social. Datam dessa época os seus estudos sobre Charles Baudelaire, que publicará em separado na mesma revista. Em 1935, Walter Benjamin escreve um ensaio sobre o jurista Johann Jacok Bachofen, que lhe tinha sido encomendado por Jean Paulhan, para a Nouvelle Revue Française. Porém, o artigo é recusado pelas incorrecções da língua. Em 1936, no fim do Verão, Benjamin visita novamente Brecht, na Dinamarca. No mesmo ano publica na Suíça, sob o pseudónimo de Detlev Holz, uma antologia de cartas relativas à tomada de consciência da história da Alemanha no século XX, intitulada Alemães. Na revista Zeitschrift für Sozialforschung sai o seu ensaio, traduzido por Pierre Klossowski, “A Obra de Arte na Época da sua Reproductibilidade Técnica”. Em 1937, Walter Benjamin sobrevive graças a uma ajuda mensal que lhe envia de New York o Instituto de Pesquisa Social, para o qual trabalha nos textos que destaca de O Livro das Passagens: trata-se do ensaio sobre Baudelaire, que publicará na mesma revista, em resposta ao convite de Max Horkheimer. Redige ainda nesse ano o texto Eduard Fuchs, Coleccionador e Historiador, No Verão e Outono de 1938 trabalha no seu ensaio sobre Paris do Segundo Império em Charles Baudelaire. Nessa altura, tinha pensado nesse ensaio como uma parte que pudesse ser utilizado no Livro das Passagens, mas acaba por abandonar essa ideia, em favor de um livro autónomo sobre Baudelaire. Ainda em 1938 acaba o seu livro Uma Infância Berlinense. Nesse ano de 1938, no mês de Julho, a Gestapo retira-lhe a nacionalidade alemã porque Benjamin tinha publicado na revista moscovita Das Wort. No final de Fevereiro de 1939, Benjamin começa a escrever o ensaio Sobre Alguns Motivos na Obra de Baudelaire, trabalho que foi enviado para Nova Iorque e publicado no princípio de Janeiro, na mesma revista (no seu último número ainda publicado na Europa). A 2 de Fevereiro Horkheimer enviara a Benjamin uma carta em que lhe dava conta do colapso financeiro do Instituto e Benjamin pede a Scholem para o ajudar. A resposta de Scholem é imediata, aconselhando-o a emigrar para os E.U.A. Tenta, então, pela primeira vez, ir para os E.U.A., mas sem sucesso.

No dia 4 de Setembro de 1938, os emigrados alemães, suspeitos de terem auxiliado o inimigo, são internados em campos. Benjamin é internado em Nevers e, aí, encara a possibilidade de publicar um boletim, dando conta da situação e das actividades dos internados. É libertado em 25 de Novembro do mesmo ano graças à insistência, junto das autoridades francesas, de Gisèle Freund, Helen Hessel, Adrienne Monnier e graças à intervenção eficaz de Henri Hoppenot, que era, na altura, em Paris, alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Em 1940, após a sua libertação, retoma o trabalho. Prossegue o seu trabalho sobre Baudelaire, enquanto tenta, por todas as formas, sair para os E.U.A. Durante os meses de Inverno e na Primavera desse ano, escreve Teses sobre o Conceito de História. Inicialmente concebidas para servir de esclarecimento metodológico ao livro sobre Baudelaire, estas teses desenvolveram reflexões que amadurecera ao longo de vinte anos. Com o choque do pacto germano-soviético, avança num dos textos que conquistaria a sua autonomia. Acusando a nova ordem social e económica capitalista, defende a ideia de uma revolução messiânica, onde o trabalho não consistiria numa exploração, mas sim no despertar da consciência social e da alienação do capitalismo, como fonte de libertação.

No momento do êxodo, mesmo antes de 14 de Junho de 1940, toma o último comboio que desce o Midi. Permanece em Lourdes durante seis semanas. Graças a Adorno e Horkheimer, um visto permite-lhe a passagem para os Estados Unidos. Mantém-se em Marselha, a 17 de Agosto, para as formalidades necessárias e, daí, vai para Port Vendres, acompanhado de Henny Gourland e do seu filho de 16 anos, que encontrou em Marseille. Estabeleceu um contacto com Lisa Fitko e com o seu marido, também conhecidos em Marseille e que trabalhavam para o comité americano de ajuda. Viaja a 25 de Setembro, atravessando o território francês e chegando a Port-Bou no dia 26 de manhã. Porém, no posto fronteiriço, os guardas espanhóis recusam-se a dar-lhe a passagem, o que significava a expulsão e o regresso para França, onde cairia nas mãos dos nazis. Dada a gravidade da situação e também do seu estado de saúde, exausto, Walter Benjamin suicida-se nessa mesma noite com a morfina que tinha trazido consigo. No dia seguinte, a fronteira seria novamente aberta e os seus companheiros puderam passar. Walter Benjamin foi enterrado no dia 28 de Setembro, no cemitério católico, por um mal-entendido, de acordo com os seus biógrafos. Tinha 48 anos de idade, marcados pela tragédia, mas nem essa conseguiu tolher a grandiosidade da sua obra e do seu pensamento, que os seus amigos e comentadores souberam resgatar.

Monumento em Homenagem a Walter Benjamin, em Port Bou
Monumento em Homenagem a Walter Benjamin, em Port Bou

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